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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

DESENCANTO


de Manoel Bandeira



"Eu faço versos como quem chora



De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente...


Tristeza esparsa... remorso vão...


Dói-me nas veias. Amargo e quente,


Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústia rouca


Assim dos lábios a vida corre,


Deixando um acre sabor na boca.





Eu faço versos como quem morre."

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